Dirceu diz que Lula decidirá até quarta-feira sobre permanência de Jaques Wagner

O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato a deputado federal, José Dirceu (PT-SP), afirmou que o presidente Lula da Silva (PT) deve decidir entre hoje e quarta-feira sobre a permanência do senador Jaques Wagner (PT) na liderança do governo no Senado. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL, em meio às investigações da Polícia Federal envolvendo o parlamentar no caso Banco Master.

Segundo Dirceu, a definição dependerá de uma conversa entre Lula e Jaques Wagner. Para o ex-ministro, o senador tem direito à presunção de inocência e deve exercer plenamente sua defesa antes de qualquer conclusão sobre o caso.

“O que eu espero é que ele faça o que está fazendo, se defender. Eu tenho confiança no Jaques Wagner. Nós nos conhecemos há 46 anos e ele tem uma trajetória que nunca foi colocada em dúvida”, afirmou.

Na última semana, Jaques Wagner foi alvo de uma operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, no inquérito que apura supostas vantagens econômicas indevidas relacionadas ao extinto Banco Master. A investigação da Polícia Federal aponta suspeitas de que o senador teria recebido benefícios como um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, viagens em aeronaves particulares, ingressos para um show internacional e repasses financeiros destinados a uma empresa ligada à sua família. O parlamentar nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação legislativa nunca favoreceu a instituição financeira.

Para José Dirceu, cabe aos investigadores apresentar provas das acusações, enquanto o senador tem direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Ele ressaltou que a permanência de Wagner na liderança do governo é uma decisão de caráter pessoal entre o parlamentar e o presidente da República.

“O ônus da prova cabe a quem acusa. Se ele decidiu permanecer até agora, é porque acredita na própria inocência. E, se Lula ainda não o substituiu, é porque também aguarda o esclarecimento dos fatos”, declarou.

O ex-ministro também comentou a divulgação das imagens dos bens apreendidos durante a operação da Polícia Federal. Na residência funcional utilizada por Jaques Wagner em Brasília foram apreendidos aproximadamente US$ 49 mil em espécie. Em outro imóvel do senador, localizado em Salvador, os agentes recolheram dólares, euros e dinheiro em reais.

Na avaliação de Dirceu, a exposição pública desse material pode gerar prejulgamento antes da conclusão das investigações.

“Essa exposição criminaliza e prejulga um cidadão, seja ele senador ou qualquer outro brasileiro. É preciso discutir esses procedimentos”, afirmou.

Apesar das críticas à divulgação das apreensões, Dirceu ressaltou que não faz questionamentos ao trabalho da Polícia Federal nem à decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a operação. Segundo ele, tanto a corporação quanto o ministro relator cumprem suas atribuições institucionais, e as investigações devem prosseguir normalmente.

A defesa do senador nega todas as acusações, afirma que os valores apreendidos possuem origem lícita e já apresentou recurso ao STF pedindo a anulação da operação.

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