A Polícia Federal incluiu um apartamento de alto padrão em Salvador entre os elementos investigados na nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Segundo os investigadores, o imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, teria sido destinado ao senador Jaques Wagner (PT) como suposta vantagem indevida, hipótese rejeitada pelo parlamentar.
De acordo com a investigação, o imóvel fica no condomínio Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas de Salvador. A Polícia Federal sustenta que a aquisição teria sido intermediada pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e um dos principais investigados na operação.
Os investigadores afirmam que mensagens obtidas durante a apuração mostram que, em novembro de 2024, Jaques Wagner encaminhou a Augusto Lima o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento. Na conversa, o senador teria informado o número da unidade e o valor aproximado do apartamento, estimado em R$ 2,45 milhões. Segundo a PF, o conteúdo foi posteriormente encaminhado por Lima ao operador financeiro Valério Marega, apontado como integrante da estrutura ligada ao Banco Master.
O empreendimento citado na investigação reúne apartamentos de 173 e 203 metros quadrados, todos com quatro suítes, cinco banheiros e hall privativo. A estrutura oferece área de lazer com piscina de raia semiolímpica, academia, salão de jogos, quadra de tênis, spa aquecido, espaço para massagens, área para animais de estimação, guarita blindada e infraestrutura para carregamento de veículos elétricos.
As buscas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator da investigação envolvendo autoridades com foro privilegiado. A nova etapa da Operação Compliance Zero ampliou o foco das apurações sobre possíveis pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos em troca de favorecimento aos interesses do Banco Master.
Em nota divulgada após a operação, Jaques Wagner afirmou que não tem conhecimento de investigação relacionada à sua atuação e declarou que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da instituição financeira. A empresa BK Financeira, ligada à família do senador e mencionada nas investigações, também negou irregularidades e afirmou que os pagamentos recebidos corresponderam à prestação de serviços.
Antes de ser alvo da operação, Wagner havia reconhecido encontros com Daniel Vorcaro, mas negava qualquer participação nas irregularidades investigadas. Em declarações públicas, classificou o caso como uma “trambicagem”, afirmou estar tranquilo em relação às apurações e atribuiu eventuais problemas à fiscalização do sistema financeiro.
A Operação Compliance Zero teve início para investigar suspeitas de gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e organização criminosa envolvendo o Banco Master, do empresário preso, Daniel Vorcaro.
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