Jaques Wagner ironiza encontro de Flávio com Trump e diz que crise com Vorcaro pesa mais

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), afirmou que o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve diminuir o impacto político da crise envolvendo o pré-candidato bolsonarista e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Wagner declarou que a repercussão do caso envolvendo mensagens e pedidos de dinheiro atribuídos a Flávio continua sendo mais relevante no cenário político brasileiro do que a agenda internacional do senador.

“A conversa lá não é maior do que o escândalo aqui”, afirmou o senador petista ao comentar a reunião entre Flávio e Trump, realizada nesta terça-feira (26), nos Estados Unidos.

A viagem do senador bolsonarista ocorreu em meio ao desgaste provocado pela divulgação de conversas relacionadas a uma suposta solicitação de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, aliados avaliam que a aproximação com Trump poderia ajudar a mudar o foco do debate político e reforçar a imagem internacional do senador junto ao eleitorado conservador.

Jaques Wagner, porém, minimizou os efeitos eleitorais do encontro e afirmou que o governo Lula não trabalhou com a narrativa de isolamento político do senador brasileiro nos Estados Unidos.

“Não é da minha conta se o presidente Trump vai receber ou não vai receber. Ele é senador da República, filho de um ex-presidente, candidato à Presidência”, declarou Wagner.

O líder governista também aproveitou para destacar a recente agenda internacional do presidente Lula da Silva (PT), afirmando que o petista manteve diálogo institucional com autoridades americanas e recebeu reconhecimento diplomático durante encontros no exterior.

Segundo Wagner, adversários políticos tentaram construir a narrativa de que existiria uma relação de forte distanciamento entre Lula e o governo norte-americano, avaliação que, segundo ele, não se confirmou.

Enquanto isso, a crise envolvendo Flávio Bolsonaro continua produzindo efeitos diversos para outubro. Nos últimos dias, partidos do Centrão passaram a demonstrar maior cautela em relação a uma possível aliança com o senador após o avanço das discussões sobre o caso Vorcaro. Os nomes de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) passaram até a ser cotados para encabeçar a chapa.

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