O avanço das apostas online no Brasil tem acendido um alerta no debate público e regulatório. Dados da pesquisa “Raio X do Investidor Brasileiro”, divulgada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), indicam crescimento no número de apostadores e aumento da parcela de brasileiros com tendência ao vício.
Segundo o levantamento, o percentual de pessoas que utilizam plataformas de bets subiu de 14% em 2023 para 17% em 2025. O perfil predominante é masculino, representando 66% dos apostadores, com idade média de 35 anos, renda mensal de cerca de R$ 5,4 mil e concentração na região Sudeste.
A pesquisa aponta que o comportamento está fortemente associado à percepção de entretenimento. A parcela que vê as apostas como diversão passou de 26% para 32% no período analisado, enquanto aqueles que relatam sentir emoção ao apostar aumentaram de 25% para 27%.
Apesar desse caráter recreativo, os indicadores mostram avanço no risco. O índice de tendência ao vício, baseado no padrão internacional Problem Gambling Severity Index, revela que 11% dos apostadores já são classificados como problemáticos em 2025, enquanto o grupo de risco moderado cresceu de 26% para 28%. Em contrapartida, caiu a fatia dos que não apresentam risco, de 35% para 32%.
Entre os apostadores considerados problemáticos, a maioria é formada por jovens. Cerca de 82% pertencem à geração Z ou aos Millennials, sendo 73% homens e concentrados na classe C. Esse grupo também apresenta maior vulnerabilidade financeira, com menor capacidade de poupança e maior incidência de ausência de reserva de emergência.
O impacto vai além do comportamento individual. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, em parceria com a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental e a organização Umane, estima que o custo social associado ao vício em apostas chega a R$ 38,8 bilhões por ano no Brasil, sendo a maior parte relacionada a problemas de saúde, como depressão e perda de qualidade de vida.
O mercado, por sua vez, segue em expansão. O Brasil já figura entre os maiores do mundo no setor de apostas online, com receita bruta de R$ 37 bilhões em 2025 entre empresas autorizadas pelo governo federal.
Diante desse cenário, o tema entrou no radar das autoridades. Medidas recentes do governo incluem restrições ao chamado mercado preditivo e maior fiscalização das plataformas. A Agência Nacional de Telecomunicações também determinou o bloqueio de plataformas consideradas irregulares.
Além disso, o Ministério da Fazenda sinalizou que avalia endurecer as regras para o setor de bets, com foco em ampliar o controle e reduzir riscos associados à atividade.
Combinando crescimento acelerado, popularização entre jovens e aumento de casos de risco, o avanço das apostas online deve permanecer no centro das discussões sobre regulação, saúde pública e comportamento financeiro no país.
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