‘Defender o fim da escala 6×1 é uma defesa real da família brasileira. Não é do gogó’, diz Boulos — Agência Gov

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República afirma que proposta é uma das prioridades do Governo do Brasil e que articula com Congresso aprovação até o meio do ano

O Governo do Brasil articula para que o Congresso Nacional aprove até o meio do ano o projeto do fim da escala 6×1. A medida, que prevê apenas um dia de descanso por semana, é uma das prioridades do para este ano. Foi o que afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante o programa Bom Dia, Ministro desta terça-feira (17/3), transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Esse projeto poderia se chamar o projeto da família brasileira. Sabe por quê? Porque nós estamos falando de mais tempo com a família. Nós estamos falando desse trabalhador, dessa trabalhadora, poder ter dois dias por semana para ficar com seus filhos, para ter um lazer, para descanso. Qual é a convivência familiar que um trabalhador que está seis dias no trabalho e um único dia em casa consegue ter? Então, a importância desse projeto vai além de disputas partidárias”, afirmou

“Hoje nós estamos tendo uma epidemia de burnout, estresse, esgotamento, fadiga no trabalho. Os números saíram, agora não faz nem um mês, uma explosão de mais de 400% de afastamentos do trabalho por burnout. O trabalhador brasileiro está exausto. Hoje você tem até um aumento na renda, um aumento do salário mínimo, mas para o trabalhador ele olha e fala: ‘Não está compensando porque a carga de trabalho está muito alta’. Nós temos hoje exatamente a mesma jornada que a gente tinha na Constituição de 1988. A última vez que se reduziu jornada no Brasil foi em 88, de 48 horas para 44 horas. De 88 para cá, em 38 anos, você teve tantos avanços tecnológicos e na produtividade. Por que o trabalhador ainda precisa trabalhar o mesmo tempo? Não faz sentido”.

O debate está em análise no Congresso Nacional, com propostas que buscam substituir esse modelo por jornadas que garantam dois dias consecutivos de descanso. O governo apoia a redução da jornada sem redução dos salários.

“Toda vez que você fala em direito para o trabalhador, você vai ter uma reação visceral dos grandes privilegiados, dos patrões, dos donos do dinheiro, dos grandes empresários, dos banqueiros, do andar de cima. Sempre. Isso não é novidade no Brasil. Vamos olhar nossa história. Tiveram aqueles que quando se aprovou a Lei Áurea, em 1888, que diziam que aquilo ia criar um problema econômico para o Brasil. Como é que as fazendas iam sobreviver? Como é que a economia do café ia continuar? Veja, o fim da escravidão de pessoas foi questionado neste país pelo andar de cima da época, os grandes latifundiários, a aristocracia rural, porque diziam que aquilo ia inviabilizar a economia”.

Ninguém esperava apoio deles para a pauta dos trabalhadores, porque nunca apoiaram a pauta dos trabalhadores no Brasil. O que é mais curioso é que esses são os mesmos que levantam a voz para dizer que defendem a família. Sabe o que é defender a família brasileira nesse momento? É defender o fim da escala 6×1. Essa é a melhor forma de defender a família brasileira, porque é uma defesa real, não é do gogó. É uma defesa que vai garantir tempo para as pessoas ficarem com as suas famílias”, afirmou Boulos

Boulos, que tem liderado o diálogo com o Congresso, falou sobre como o governo atua para ter a proposta aprovada o quanto antes.

“Existe uma operação em curso contra o fim da 6×1. Quem comanda essa operação, além dos lobbies empresariais, é o seu Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido do Bolsonaro, o União Brasil, os Republicanos, os partidos da direita bolsonarista no Brasil. Você está partidarizando? Não. Essa é a realidade. A estratégia é não votar. Porque mesmo eles têm consciência que se botar para votar, até os deputados de direita que são contra, vão fazer cálculo eleitoral. Nós estamos a seis meses da eleição. Só que o presidente Lula já tomou uma definição. Nós estamos respeitando o trâmite do Legislativo como tem que ser. Agora, se passar, termina março, passa umas semanas, e se percebe que está tendo uma estratégia de enrolação no Congresso, o (presidente) Lula vai entrar com um projeto de lei com regime de urgência, e aí é obrigado a votar em até 45 dias. Porque essa é a legislação. É a regra”.

O Lula vai enviar um projeto de lei com regime de urgência com três pontos: fim da (escala) 6×1, máximo de 5×2, redução da jornada de 44 para 40 horas (semanais) e sem redução do salário. Entrou com um projeto de lei com regime de urgência, a Câmara tem 45 dias para votar, se não, tranca a pauta, o Senado tem 45 dias para votar. E quem é contra vai ter que botar a sua digital lá e responder à sociedade, porque não quer que o trabalhador e a trabalhadora brasileiros tenham mais tempo com as suas famílias. A decisão do presidente Lula é essa. Trabalhar, trabalhar e trabalhar para que isso seja votado até o meio do ano”, explicou

Assista à íntegra do Programa Bom Dia, Ministro

Fonte: Clique aqui