Datafolha mostra eleitor mais desconfiado da economia no início do novo voo político de Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou que deixará o cargo no governo do presidente Lula da Silva (PT) nos próximos dias para disputar as eleições deste ano, possivelmente ao governo de São Paulo. A decisão ocorre em um momento delicado para a percepção da economia entre os brasileiros, segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha.

Em entrevista nesta terça-feira (11), Haddad afirmou que a saída do ministério faz parte das discussões eleitorais em curso, mas evitou confirmar oficialmente qual cargo disputará.

“Estamos conversando, estudando a que concorrer. Não é só a candidatura, temos que ver o grupo de pessoas que vai compor a chapa”, declarou o ministro.

Economia pesa no cenário político

A movimentação política ocorre paralelamente à divulgação de um levantamento do Datafolha que mostra aumento do pessimismo da população em relação à economia brasileira.

Segundo a pesquisa, 46% dos brasileiros acreditam que a situação econômica piorou, um crescimento em relação aos 41% registrados em dezembro. Já os que afirmam que a economia melhorou caíram de 29% para 24%.

O estudo também revelou queda significativa no otimismo sobre o futuro econômico. Apenas 30% dos entrevistados acreditam que a economia irá melhorar nos próximos meses, contra 46% no levantamento anterior. Em sentido oposto, 35% dizem que o cenário econômico deve piorar, ante 21% anteriormente.

Situação financeira pessoal também piora

O levantamento aponta ainda deterioração na percepção da situação financeira individual dos brasileiros.

Entre os entrevistados, 33% afirmaram que sua condição financeira piorou nos últimos meses, número que era 26% em dezembro. Já os que dizem ter melhorado caíram de 36% para 30%. Para 37%, a situação permaneceu igual.

Os dados reforçam um ambiente de maior cautela do eleitorado, fator que pode influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026.

Disputa em São Paulo pode opor Haddad e Tarcísio

Nos bastidores políticos, a tendência é que Haddad dispute o governo paulista contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que aparece à frente em cenários eleitorais divulgados recentemente.

Segundo pesquisas citadas no debate político, o governador lidera a corrida com 44% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Haddad aparece com 31%.

A disputa é considerada estratégica para o PT, que nunca governou o estado de São Paulo desde a fundação do partido em 1980.

Prazo eleitoral pressiona decisões

Apesar das articulações, a candidatura de Haddad ainda não foi formalizada. A legislação eleitoral determina que ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar eleições devem deixar seus postos até 3 de abril, prazo conhecido como período de desincompatibilização.

Nos bastidores, também estão em discussão possíveis alianças e a composição da chapa majoritária, envolvendo nomes como a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede-AC).

Aliados do governo avaliam que a escolha de Haddad é uma aposta estratégica do presidente Lula para fortalecer o campo governista no maior colégio eleitoral do país, mesmo diante de um cenário econômico que hoje provoca maior desconfiança entre os brasileiros.

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