O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), afirmou neste sábado (3) que teme uma nova onda de migração em massa de venezuelanos para o Brasil diante da escalada do conflito na Venezuela e sugeriu ao governo federal o fechamento provisório da fronteira entre os dois países. A preocupação ocorre após a ofensiva militar dos Estados Unidos e a captura do líder chavista Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
Segundo Denarium, a medida teria caráter temporário e serviria para evitar um fluxo descontrolado de refugiados enquanto o cenário político e militar no país vizinho segue indefinido. O governador relatou que levou a sugestão diretamente a ministros do governo federal durante conversas realizadas ao longo do dia.
A proposta foi apresentada aos ministros José Múcio, da Defesa, Rui Costa, da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais. Denarium afirmou que aguarda o desfecho da reunião convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Itamaraty, para saber quais decisões serão tomadas pelo Planalto.
A fronteira entre Brasil e Venezuela amanheceu fechada neste sábado no trecho de Pacaraima, principal porta de entrada de migrantes em Roraima. De acordo com informações do próprio governo estadual, a interrupção da passagem ocorreu do lado venezuelano, após o ataque de grande escala anunciado pelos Estados Unidos. Do lado brasileiro, as forças de segurança seguem atuando dentro da normalidade, sem mudanças operacionais.
Denarium destacou que Roraima já enfrenta impactos significativos da migração venezuelana e alertou para o risco de repetição do cenário vivido no auge da crise, em 2020. Naquele período, o estado chegou a receber entre 1,5 mil e 2 mil venezuelanos por dia.
Atualmente, a estimativa é de que cerca de 186 mil venezuelanos vivam em Roraima, o equivalente a aproximadamente 20% da população do estado. Mesmo antes do agravamento recente da crise, a entrada diária variava entre 300 e 500 pessoas. Para o governador, a instabilidade política e militar pode elevar novamente esse número a patamares críticos.
O chefe do Executivo estadual ressaltou o impacto social e humanitário da migração, afirmando que a maioria dos refugiados chega ao Brasil em situação de extrema vulnerabilidade. Segundo ele, o estado presta assistência dentro de suas limitações, mas alertou que uma nova entrada massiva pode pressionar ainda mais os serviços públicos locais.
A crise na Venezuela, agora agravada pela intervenção americana, reacende o debate sobre segurança de fronteiras, acolhimento humanitário e a capacidade de resposta dos estados mais afetados pelo fluxo migratório, colocando Roraima novamente no centro das atenções do governo federal.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação