Vice-líder do governo e relator da vaga de Messias: quem é senador Weverton

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, entrou no radar da Polícia Federal após ser alvo de uma operação que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A ofensiva policial aprofunda o cerco sobre figuras próximas ao núcleo político do governo e expõe novas conexões entre parlamentares e operadores do esquema.

A ação cumpre mandados de busca e apreensão contra o senador e também resultou em prisões de integrantes do alto escalão do Ministério da Previdência, ampliando o impacto político da investigação.

Relação com o Careca do INSS

Weverton Rocha já admitiu publicamente ter recebido Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela investigação como um dos mentores do esquema de fraudes contra aposentados. Segundo o senador, o encontro teria tratado apenas de assuntos legislativos.

No entanto, em depoimento à CPMI que apura as irregularidades no INSS, o próprio Antunes afirmou que a reunião teve como pauta a liberação de medicamentos à base de cannabis. As investigações indicam que o empresário construiu um patrimônio milionário a partir dos recursos desviados com os descontos ilegais, estimados em bilhões de reais.

Influência no STF e proximidade com o Planalto

Além de sua posição estratégica no Senado, Weverton Rocha ocupa papel central em indicações ao Supremo Tribunal Federal. Ele foi relator da indicação de Jorge Messias à Corte e também apresentou, em 2023, o parecer favorável à nomeação de Flávio Dino para o STF.

A atuação reforça sua proximidade com o Palácio do Planalto e amplia o desgaste político causado pela operação da Polícia Federal, que atinge diretamente um dos principais aliados do governo Lula no Senado.

Trajetória política e alianças

Weverton iniciou sua carreira nos movimentos estudantis e chegou à vice-presidência da UNE no ano 2000. Em 2007, assumiu a Secretaria Estadual de Esporte e Juventude no Maranhão. Passou pela Câmara dos Deputados como suplente e assumiu mandato em 2012, posicionando-se contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e contra reformas propostas no governo Michel Temer (MDB).

Em 2022, disputou o governo do Maranhão e esperava apoio do então governador Flávio Dino, que acabou apoiando Carlos Brandão (PSB), eleito governador. A derrota marcou um revés importante em sua trajetória política estadual.

Ligação com Carlos Lupi

A relação de Weverton Rocha com Carlos Lupi é antiga. O senador atuou como assessor especial de Lupi quando ele comandava o Ministério do Trabalho no segundo governo Lula. Lupi foi demitido em maio após a Polícia Federal revelar o esquema de descontos ilegais no INSS, que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados.

A operação atual reforça a suspeita de que o esquema se manteve ativo por anos, atravessando diferentes governos e envolvendo agentes políticos e administrativos de alto escalão.

Avanço da operação

Além das buscas contra Weverton Rocha, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão. Entre os detidos está Adroaldo Portal, então número dois do Ministério da Previdência, que teve prisão domiciliar decretada.

As investigações seguem em andamento e podem atingir novos nomes do meio político, ampliando a crise no governo Lula e colocando sob pressão aliados estratégicos no Congresso Nacional.

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