Vinhos bons por menos de R$ 100 ficam mais raros no Brasil, mas ainda há boas opções nacionais

O mercado de vinhos no Brasil vive um contraste cada vez mais evidente entre a expansão dos rótulos premium e o orçamento limitado do consumidor médio. Enquanto grandes vinhos vendidos no país já ultrapassam com folga a faixa dos R$ 300, o brasileiro segue comprando, majoritariamente, garrafas que não passam de R$ 50 no carrinho de compras.

Esse descompasso alimenta a percepção de que bons vinhos abaixo de R$ 100 estão desaparecendo das prateleiras. Especialistas admitem que o espaço para rótulos acessíveis de qualidade vem encolhendo ano após ano, mas reforçam que ainda é possível encontrar boas escolhas dentro desse limite, inclusive em regiões produtoras emergentes do Brasil.

Degustações realizadas nos últimos anos com mais de 1.600 rótulos disponíveis no mercado nacional indicam uma queda expressiva na participação dos vinhos até R$ 100. Se antes essa faixa representava quase um quarto das amostras avaliadas, hoje ocupa menos de um quinto do total. Além da redução no número de rótulos, a pontuação média também recuou, tornando a busca por qualidade com preço acessível mais desafiadora.

O impacto é mais evidente entre os tintos. Vinhos portugueses, que historicamente dominavam o segmento de custo-benefício, perderam espaço para rótulos da Argentina e do Chile, favorecidos por questões tributárias. Entre os brancos, o Brasil passou a ganhar protagonismo, especialmente com vinhos de perfil mais fresco, menos alcoólico e com menor interferência de madeira.

Nesse cenário, regiões brasileiras fora do eixo tradicional começam a chamar atenção. No oeste da Bahia, especialmente na Chapada Diamantina, produtores têm conquistado prêmios nacionais e internacionais com vinhos que, em alguns casos, ainda conseguem se manter próximos da faixa dos R$ 100. São rótulos que se destacam pelo frescor, pela boa acidez e pela identidade do terroir, beneficiados pela altitude e pelas grandes amplitudes térmicas da região.

Espumantes, brancos jovens e alguns tintos leves produzidos na Chapada Diamantina aparecem como alternativas competitivas para quem busca qualidade sem pagar preços elevados. A presença desses vinhos em premiações reforça que o Brasil não apenas consome, mas também produz rótulos capazes de competir em qualidade dentro de um orçamento mais enxuto.

Apesar das dificuldades, especialistas ressaltam que ainda existem boas surpresas abaixo dos R$ 100. Alguns vinhos atingem notas superiores a 90 pontos, demonstrando que a qualidade não desapareceu, apenas exige mais critério na escolha. Vinhos do Mercosul continuam sendo apostas seguras, mas os rótulos nacionais, especialmente de regiões emergentes como o interior baiano, ganham espaço nessa equação.

Outro fator relevante é a mudança no perfil de consumo. O mercado global deixou para trás a busca por vinhos excessivamente alcoólicos e marcados por madeira pesada. Cresce a valorização de rótulos com fruta limpa, acidez equilibrada e frescor, características que favorecem vinhos simples, bem executados e mais acessíveis.

Para reduzir o risco de errar na compra, especialistas recomendam atenção a alguns pontos básicos: priorizar safras recentes, evitar vinhos baratos com teor alcoólico muito elevado e optar por uvas e regiões tradicionais ou emergentes já reconhecidas. Produtores conhecidos, denominações de origem e vinhos premiados também ajudam a filtrar opções mais confiáveis.

A avaliação geral é de que o mercado ficou mais exigente para quem busca vinhos bons e baratos no Brasil. Ainda assim, há alternativas viáveis para o consumidor disposto a pesquisar e ajustar expectativas. Em meio a preços pressionados e oferta cada vez mais segmentada, a curadoria se torna fundamental para continuar bebendo bem sem ultrapassar a barreira dos R$ 100.

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