A abertura da programação do Dia da Consciência Negra em Feira de Santana, nesta última quinta-feira (20), foi marcada por uma manifestação carregada de simbolismo, tradição e resistência, além do apoio da prefeitura de Feira de Santana. Sacerdotes, sacerdotisas e adeptos das religiões de matriz africana realizaram um grande xirê, roda ritualística que reverencia os orixás com canto, dança e oferendas, antes da primeira edição da Caminhada das Iabás.
O ritual, que abre com Exu e encerra com Oxalá, segue a liturgia tradicional afro-brasileira, com cada orixá homenageado por gestos, ritmos e passos específicos. As canções entoadas em iorubá reforçaram a ancestralidade do encontro, lembrando a herança cultural trazida por africanos escravizados ao Brasil. No centro da roda, foram dispostas oferendas como parte dos ritos sagrados.
Primeira Caminhada das Mães Rainhas
A cerimônia antecedeu a Irikirin das Iabás, expressão em iorubá que significa Caminhada das Mães Rainhas, referência às orixás femininas como Iemanjá, Oxum, Iansã, Nanã, Obá e Ewá. Organizada pelo Coletivo Mulheres de Terreira de Feira de Santana, a caminhada celebrou a força das divindades femininas e a representatividade da mulher negra.
“A caminhada representa o empoderamento da mulher negra”, destacou a presidente do coletivo, Juciam Alves. “É a celebração da cultura da mulher de terreiro e a representatividade feminina no universo dos orixás”.
Reflexão e valorização da diversidade
Para o presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Aristides Maltez, o evento proporciona aos feirenses um olhar mais amplo sobre as religiões de matriz africana e reforça a importância do 20 de Novembro como data de reflexão. “É um momento para pensar sobre o que os negros foram, são e o que desejam ser”, afirmou.
Após o xirê, participantes seguiram em cortejo pela avenida Getúlio Vargas ao som dos atabaques e demais instrumentos sagrados, exibindo trajes coloridos e tradicionais das celebrações afro-religiosas. A manifestação contou com apoio da Prefeitura de Feira de Santana, que integrou a ação à agenda oficial da cidade para o Dia da Consciência Negra.
O evento estreou como marco cultural e político, dando protagonismo às mulheres de terreiros e reafirmando a importância da preservação das tradições afro-brasileiras em Feira de Santana, um gesto simbólico num momento em que o debate sobre diversidade religiosa ocupa cada vez mais espaço na sociedade baiana.
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