Levantamento divulgado pelo instituto Ideia revela que 61,1% dos evangélicos consideraram ofensiva ou preconceituosa a ala “Família em Conserva”, apresentada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói durante desfile em homenagem ao presidente Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí.
A pesquisa indica que a maior parte do segmento interpretou a representação como desrespeitosa à liberdade religiosa. Outros 11% classificaram a ala como crítica artística legítima, 8,7% como sátira aceitável e 19,2% afirmaram não saber opinar.
Alcance da repercussão entre evangélicos
Os dados apontam que 76,1% dos entrevistados tiveram conhecimento da apresentação. Desse total, 19,1% assistiram ao desfile ou a vídeos, enquanto 45,9% souberam do episódio por meio de reportagens ou publicações nas redes sociais. Apenas 23,9% declararam não ter visto ou ouvido falar sobre o caso.
A pesquisa foi realizada no dia 18 de fevereiro com 656 pessoas autodeclaradas protestantes ou evangélicas, em 315 municípios. A margem de erro é de 3,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Polarização religiosa e política
Para 48,3% dos entrevistados, o episódio contribui para aumentar a polarização religiosa e política ou normaliza a discriminação simbólica. Já 38,2% avaliam que a ala estimula reflexão crítica e amplia o debate público. Outros 13,4% consideram que não houve impacto relevante.
O levantamento também mediu a percepção sobre tratamento desigual entre religiões. Para 35,1%, a reação seria mais intensa caso outro grupo religioso fosse retratado da mesma forma. Já 29,3% acreditam que a resposta seria semelhante, enquanto 14,8% entendem que seria menor.
Impacto político e reação do governo
O episódio ganhou dimensão política e mobilizou bancadas religiosas no Congresso Nacional. Integrantes das frentes evangélica e católica divulgaram notas críticas ao desfile e cobraram responsabilização dos envolvidos.
O cenário ocorre em um momento delicado para o presidente entre eleitores evangélicos. Pesquisas recentes indicam desaprovação majoritária do governo Lula nesse segmento, considerado estratégico para as próximas disputas eleitorais.
Diante da repercussão, o Palácio do Planalto reagiu. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que houve impulsionamento de conteúdos críticos ao governo nas redes sociais e classificou o movimento como oportunismo eleitoral. A direção do PT avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral para apurar a situação.
Nos bastidores, aliados reconhecem que o presidente precisará intensificar o diálogo com lideranças evangélicas para reduzir desgastes e evitar uma maior rejeição no segmento.
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