A tentativa do governo Jerônimo Rodrigues (PT) de manter o Progressistas na base aliada na Bahia escancarou fragilidades na articulação política do Palácio de Ondina.
Nos bastidores, aliados governistas já classificam como fracasso a chamada “Operação PP”, estratégia que envolveu a entrega de espaços relevantes, como o Detran, para reaproximar o partido do governo Jerônimo Rodrigues (PT).
Êxodo de lideranças e risco de debandada
Mesmo após a negociação, nomes importantes do PP passaram a se movimentar de forma independente ou migraram para a oposição que é liderada por ACM Neto (União Brasil). Entre eles estão o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), o deputado federal Cláudio Cajado (PP) e o deputado estadual Hassan Yossef (PP).
A entrega do Detran, considerada uma das principais moedas de troca política no estado, não foi suficiente para conter o avanço da oposição dentro da legenda.
Nos bastidores, a avaliação é de que o governo cedeu espaço, mas não garantiu fidelidade política.
ACM Neto avança
O cenário favorece diretamente o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que tem atraído quadros progressistas para sua base.
Zé Cocá, por exemplo, já é cotado para compor como vice em uma eventual chapa liderada por Neto ao governo estadual.
Federação nacional embaralha o jogo
A federação entre Progressistas e União Brasil, firmada nacionalmente,batizada de ‘União Progressista’, também contribuiu para desorganizar o tabuleiro na Bahia, aproximando ainda mais as duas siglas no plano estadual.
João Leão, o fiador histórico do PP
No centro desse cenário está a influência histórica do deputado federal João Leão, figura-chave na construção do partido na Bahia e no Brasil.
Ex-presidente do PP por anos, Leão foi responsável por transformar a legenda em uma das maiores forças políticas do estado, com forte capilaridade no interior e presença consolidada em diversas regiões.
Mesmo fora do comando direto, sua atuação ainda é vista como determinante nos rumos do partido, especialmente em momentos de crise e redefinição de alianças.
Governo Jerônimo sob pressão
Parlamentares da base admitem, reservadamente, que a estratégia falhou. Há incerteza até mesmo sobre o futuro de deputados estaduais Eduardo Salles e Antônio Henrique, que estão deixando o partido ou seguirão caminhos independentes. Niltinho se filiou ao PSD, após ir na residência de João Leão neste último fim de semana e agradecer os anos de aprendizados quando estava no PP.
Tabuleiro indefinido
O fato no PP evidencia um problema maior na base do governo Jerônimo, a dificuldade de consolidar alianças duradouras em um cenário de forte disputa política.
Enquanto isso, a oposição avança e o PP volta a ocupar posição central no jogo, com potencial de definir os rumos da eleição estadual.
Nos bastidores, a leitura é direta, quem controlar o PP, controla uma fatia decisiva do eleitorado baiano.
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