Justiça anula congresso da Rede e expõe crise entre Marina Silva e Heloísa Helena

A Justiça do Rio de Janeiro anulou o Congresso Municipal da Rede Sustentabilidade realizado em fevereiro do ano passado, após identificar fraudes e irregularidades no processo interno da legenda. A decisão representa mais um capítulo da disputa política entre a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), atual coordenadora nacional de organização do partido.

O congresso anulado teve como objetivo revisar o estatuto da sigla e acabou sendo usado como instrumento de reorganização interna que fortaleceu o grupo político liderado por Heloísa Helena, movimento que gerou forte reação do entorno de Marina.

Decisão judicial expõe falhas graves

A sentença foi proferida pelo juiz Marcos Antônio Ribeiro de Moura Brito, que apontou falhas consideradas graves no processo de convocação, credenciamento e votação do congresso. Segundo o magistrado, as irregularidades não se limitaram ao diretório municipal, mas acabaram contaminando também as instâncias estadual e nacional do partido.

Entre os problemas identificados estão o descumprimento do prazo mínimo previsto no regimento interno, a convocação feita exclusivamente por redes sociais, a existência de assinaturas de pessoas ausentes e falhas na verificação da identidade dos participantes.

Fraudes no credenciamento

Na decisão, o juiz destaca que o próprio Diretório Municipal da Rede reconheceu problemas no credenciamento dos participantes. Parte dos presentes não apresentou documento de identificação, o que teria permitido a participação de pessoas sem vínculo formal com o partido.

Para a Justiça, esse conjunto de falhas comprometeu a legitimidade do congresso e tornou inválidas as deliberações aprovadas no encontro, incluindo alterações estatutárias de grande impacto político.

Disputa interna se intensifica

A anulação do congresso aprofunda o embate entre Marina Silva e Heloísa Helena (Rede-RJ). Integrantes ligados à ministra avaliam que as mudanças aprovadas no estatuto promoveram a concentração de poder na Executiva Nacional, reduziram direitos dos filiados e fragilizaram os mecanismos de democracia interna.

Nos bastidores, o episódio é visto como um divisor de águas na permanência de Marina na legenda, que já enfrenta dificuldades para manter unidade política em meio à crescente polarização interna.

Marina avalia saída da Rede

Aliados de Marina admitem que a ministra avalia deixar a Rede Sustentabilidade. Ela tem sido cortejada por diversas siglas e, segundo interlocutores, mantém conversas mais avançadas com o PT, partido ao qual já foi filiada por mais de duas décadas. O convite incluiria a possibilidade de disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano.

Além do PT, Marina também recebeu sondagens de PSB, PV, PSOL e PDT, o que evidencia o peso político da ministra no cenário ambiental e eleitoral nacional.

Partido promete recorrer

Em nota, a direção nacional da Rede afirmou ter sido surpreendida pela decisão e disse que ainda não foi oficialmente notificada. A legenda reforçou o compromisso com a democracia interna e afirmou que irá recorrer da sentença, ressaltando que se trata de uma decisão de primeira instância.

Mesmo com a sinalização de recurso, a decisão judicial escancara a crise interna da Rede e amplia a pressão sobre a cúpula do partido, que agora enfrenta questionamentos judiciais, políticos e eleitorais às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

Fonte: Clique aqui

Créditos do autor:

Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação