A tentativa de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master enfrenta forte resistência nos bastidores da Câmara dos Deputados. Apesar da mobilização de parlamentares da oposição, o avanço da CPI esbarra em um obstáculo regimental, a existência de uma fila com pelo menos 15 requerimentos aguardando autorização para instalação.
Deputados favoráveis à apuração do caso afirmam já ter alcançado o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento interno da Casa, que prevê o apoio de ao menos 171 parlamentares. Ainda assim, a palavra final cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), responsável por autorizar a abertura das comissões.
O pedido de CPI do Banco Master disputa espaço com requerimentos que tratam de outros temas sensíveis, como os descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, investigações sobre planos de saúde e processos relacionados à demarcação de terras indígenas. Esse acúmulo tem servido de argumento para adiar decisões e ampliar o desgaste político em torno do tema.
O Banco Master é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de fraude bilionária. Diante de indícios de irregularidades, o Banco Central decretou a liquidação da instituição no fim do ano passado. O caso ganhou ainda mais repercussão em Brasília por causa da influência política de Daniel Vorcaro, controlador do banco, e de suas conexões com integrantes do Congresso e do Judiciário.
Diante do impasse na Câmara, parlamentares passaram a concentrar esforços na criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. A CPMI reúne deputados e senadores e depende apenas da leitura do requerimento pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para ser instalada. Integrantes da oposição afirmam já ter ultrapassado o número mínimo de apoios necessários.
No Senado, o caso também avança por outras frentes. A Comissão de Assuntos Econômicos criou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações relacionadas ao Banco Master, com a intenção de ouvir personagens centrais do escândalo, incluindo o próprio Daniel Vorcaro e dirigentes do Banco Central.
Além disso, senadores articulam o aprofundamento do tema na CPI do Crime Organizado, já instalada. Para parlamentares da oposição, há indícios de que a atuação do Banco Master se insere em um esquema mais amplo, envolvendo práticas típicas de organizações criminosas, o que amplia a pressão política por uma apuração robusta e com alcance nacional.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação